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NR-1 e riscos psicossociais: o que muda para as empresas

Por Djane Schreiber e Jonas Kraetzer

A saúde mental no trabalho deixou de ser apenas um tema relacionado ao bem-estar dos trabalhadores. Com a atualização da NR-1, passa a ser também uma responsabilidade formal das empresas dentro da gestão de riscos ocupacionais.

A principal mudança é clara: os fatores de risco psicossociais agora precisam ser identificados, avaliados e tratados no PGR (Programa de Gerenciamento de Riscos). A gestão passa a ser estruturada por meio do GRO (Gerenciamento de Riscos Ocupacionais), que organiza esse processo de forma contínua.

De acordo com o item 1.5 da NR-1, o gerenciamento de riscos ocupacionais deve ser estruturado em um processo contínuo, contemplando o Inventário de Riscos, o Plano de Ação e os critérios utilizados para a tomada de decisão, incluindo também os fatores de risco psicossociais relacionados ao trabalho.

O que são riscos psicossociais?


Os riscos psicossociais estão ligados à forma como o trabalho é organizado e conduzido no dia a dia. Entre os principais fatores estão:

  • Sobrecarga de trabalho
  • Subcarga ou baixa demanda no trabalho
  • Metas pouco claras ou excessivas
  • Baixa autonomia
  • Falhas de comunicação
  • Conflitos de equipe
  • Falta de suporte da liderança
  • Assédio de qualquer natureza no ambiente de trabalho
  • Má gestão de mudanças organizacionais
  • Baixa clareza de papel e função
  • Eventos violentos ou traumáticos
  • Trabalho isolado

Esses riscos sempre existiram, mas agora passam a exigir gestão estruturada e documentada.

Por que esse tema ganhou força agora?

O aumento dos afastamentos por questões de saúde mental e as atualizações na legislação reforçam um ponto importante: o ambiente de trabalho pode contribuir tanto para a saúde quanto para o adoecimento das pessoas.

Na prática, isso significa observar também sinais do dia a dia, como:

  • Afastamentos recorrentes
  • Rotatividade elevada
  • Conflitos frequentes
  • Queda de produtividade

O que muda na prática para as empresas?

Com a atualização da NR-1, as empresas precisam incluir os fatores psicossociais no processo de gestão de riscos ocupacionais, considerando:

  • Análise das condições reais de trabalho
  • Escuta ativa dos colaboradores
  • Definição de ações preventivas
  • Acompanhamento contínuo
  • Evidências documentadas para fiscalizações

Esses fatores devem ser registrados formalmente no Inventário de Riscos, incluindo a identificação dos perigos, avaliação da probabilidade e da gravidade dos danos à saúde dos trabalhadores.

A avaliação deve considerar critérios como frequência, intensidade da exposição e número de trabalhadores afetados, conforme as diretrizes do gerenciamento de riscos ocupacionais.

Essa lógica reforça que a prevenção deve acontecer na origem do problema, e não apenas na proteção individual. As medidas de controle devem priorizar mudanças na organização do trabalho, seguindo a hierarquia de controle de riscos prevista na NR-1.

Além disso, o processo precisa ser continuamente monitorado e revisado, especialmente diante de mudanças organizacionais ou da identificação de novos riscos. A participação dos trabalhadores também é fundamental para identificar riscos com mais precisão e construir soluções mais eficazes.

O papel da liderança na prevenção dos riscos psicossociais

Grande parte dos riscos psicossociais relacionados ao trabalho está ligada a lideranças pouco capacitadas. Por isso, desenvolver líderes preparados passa a ser um ponto central para:

  • Dar direção clara
  • Equilibrar cobrança e apoio
  • Reduzir conflitos
  • Fortalecer o ambiente de trabalho

O que estamos fazendo na Huvispan

Na Huvispan, esse tema já vem sendo trabalhado de forma integrada entre Gestão de Pessoas, Segurança do Trabalho e lideranças. Entre as ações em andamento estão:

  • Desenvolvimento de lideranças com foco em comunicação, gestão de pessoas e saúde mental
  • DDSQ (Diálogo Diário de Segurança e Qualidade) com temas comportamentais e de saúde mental
  • Fortalecimento dos canais de escuta
  • Revisão de processos e rotinas de acordo com a legislação vigente
  • Acompanhamento de indicadores, como absenteísmo e turnover
  • Reuniões de líderes
  • Acompanhamento psicológico gratuito na empresa
  • Acompanhamento com médico do trabalho direcionado aos fatores de risco psicossociais
  • Acompanhamento das atividades no posto de trabalho, ouvindo os colaboradores e elaborando relatórios técnicos integrados ao plano de ação

Essas ações contribuem para o monitoramento contínuo dos riscos e para a melhoria das condições organizacionais de trabalho.

A atualização da NR-1 reforça um caminho que já faz parte da prática da Huvispan: olhar para o ambiente de trabalho de forma mais completa, incluindo aspectos organizacionais, comportamentais e de saúde mental.

Mais do que atender à norma, o objetivo é construir um ambiente de trabalho mais saudável, sustentável e coerente com aquilo em que acreditamos.

A não inclusão dos riscos psicossociais no PGR pode gerar não conformidades em fiscalizações e ampliar a exposição a passivos trabalhistas.

A NR-1 não trouxe um problema novo. Ela trouxe clareza sobre algo que sempre existiu. E o principal ponto não é apenas atender à norma, mas entender que cuidar do ambiente de trabalho é cuidar das pessoas — e isso impacta diretamente os resultados.

Construir um ambiente de trabalho mais saudável, seguro e sustentável é um compromisso diário que envolve pessoas, liderança e cultura organizacional.

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