Por Djane Schreiber e Jonas Kraetzer
A saúde mental no trabalho deixou de ser apenas um tema relacionado ao bem-estar dos trabalhadores. Com a atualização da NR-1, passa a ser também uma responsabilidade formal das empresas dentro da gestão de riscos ocupacionais.
A principal mudança é clara: os fatores de risco psicossociais agora precisam ser identificados, avaliados e tratados no PGR (Programa de Gerenciamento de Riscos). A gestão passa a ser estruturada por meio do GRO (Gerenciamento de Riscos Ocupacionais), que organiza esse processo de forma contínua.
De acordo com o item 1.5 da NR-1, o gerenciamento de riscos ocupacionais deve ser estruturado em um processo contínuo, contemplando o Inventário de Riscos, o Plano de Ação e os critérios utilizados para a tomada de decisão, incluindo também os fatores de risco psicossociais relacionados ao trabalho.

Os riscos psicossociais estão ligados à forma como o trabalho é organizado e conduzido no dia a dia. Entre os principais fatores estão:
Esses riscos sempre existiram, mas agora passam a exigir gestão estruturada e documentada.
O aumento dos afastamentos por questões de saúde mental e as atualizações na legislação reforçam um ponto importante: o ambiente de trabalho pode contribuir tanto para a saúde quanto para o adoecimento das pessoas.
Na prática, isso significa observar também sinais do dia a dia, como:
Com a atualização da NR-1, as empresas precisam incluir os fatores psicossociais no processo de gestão de riscos ocupacionais, considerando:
Esses fatores devem ser registrados formalmente no Inventário de Riscos, incluindo a identificação dos perigos, avaliação da probabilidade e da gravidade dos danos à saúde dos trabalhadores.
A avaliação deve considerar critérios como frequência, intensidade da exposição e número de trabalhadores afetados, conforme as diretrizes do gerenciamento de riscos ocupacionais.
Essa lógica reforça que a prevenção deve acontecer na origem do problema, e não apenas na proteção individual. As medidas de controle devem priorizar mudanças na organização do trabalho, seguindo a hierarquia de controle de riscos prevista na NR-1.
Além disso, o processo precisa ser continuamente monitorado e revisado, especialmente diante de mudanças organizacionais ou da identificação de novos riscos. A participação dos trabalhadores também é fundamental para identificar riscos com mais precisão e construir soluções mais eficazes.
Grande parte dos riscos psicossociais relacionados ao trabalho está ligada a lideranças pouco capacitadas. Por isso, desenvolver líderes preparados passa a ser um ponto central para:
Na Huvispan, esse tema já vem sendo trabalhado de forma integrada entre Gestão de Pessoas, Segurança do Trabalho e lideranças. Entre as ações em andamento estão:
Essas ações contribuem para o monitoramento contínuo dos riscos e para a melhoria das condições organizacionais de trabalho.
A atualização da NR-1 reforça um caminho que já faz parte da prática da Huvispan: olhar para o ambiente de trabalho de forma mais completa, incluindo aspectos organizacionais, comportamentais e de saúde mental.
Mais do que atender à norma, o objetivo é construir um ambiente de trabalho mais saudável, sustentável e coerente com aquilo em que acreditamos.
A não inclusão dos riscos psicossociais no PGR pode gerar não conformidades em fiscalizações e ampliar a exposição a passivos trabalhistas.
A NR-1 não trouxe um problema novo. Ela trouxe clareza sobre algo que sempre existiu. E o principal ponto não é apenas atender à norma, mas entender que cuidar do ambiente de trabalho é cuidar das pessoas — e isso impacta diretamente os resultados.
Construir um ambiente de trabalho mais saudável, seguro e sustentável é um compromisso diário que envolve pessoas, liderança e cultura organizacional.