Por Djane Schreiber
Falar sobre saúde mental no ambiente de trabalho deixou de ser apenas uma questão de bem-estar. Em um cenário de constantes mudanças, cobranças e necessidade de resultados, cuidar da saúde mental tornou-se um fator importante para a sustentabilidade profissional e pessoal.

No universo das vendas, essa realidade é ainda mais evidente. Representantes comerciais e profissionais da área convivem diariamente com metas, negociações, prazos, deslocamentos, pressão por resultados e a necessidade de manter relacionamentos com clientes. Embora esses desafios façam parte da profissão, é importante refletir sobre como eles impactam a saúde emocional ao longo do tempo.
Quando o automático vira rotina
Muitas vezes, o desgaste emocional não aparece de forma repentina. Ele se instala aos poucos.
A pessoa continua trabalhando, atendendo clientes, resolvendo problemas e cumprindo compromissos. Por fora, parece que tudo está funcionando normalmente. Por dentro, porém, pode existir cansaço, irritação, dificuldade de concentração, ansiedade e a sensação constante de estar sempre correndo atrás de alguma coisa.
O problema é que esses sinais acabam sendo vistos como normais. Responder mensagens fora do horário, dormir pensando em trabalho, sentir-se permanentemente conectado ou não conseguir desligar a mente passam a fazer parte da rotina.
É nesse momento que muitas pessoas entram no chamado "modo sobrevivência": continuam funcionando, mas com cada vez menos energia emocional disponível.
O cérebro reage à pressão
Nosso cérebro foi preparado para reagir a situações de ameaça. Essa capacidade foi fundamental para a sobrevivência humana ao longo da evolução.
Hoje, porém, as ameaças raramente são físicas. Em vez disso, lidamos com pressões constantes, excesso de estímulos, cobranças, preocupações e a sensação de que precisamos estar disponíveis o tempo todo.
O organismo reage a essas situações mobilizando energia para enfrentar desafios. Quando esse estado de alerta se prolonga por muito tempo, podem surgir sintomas como:
· Irritação;
· Ansiedade;
· Cansaço constante;
· Impulsividade;
· Dificuldade de concentração;
· Sensação de esgotamento;
· Dificuldade para relaxar.
Por isso, muitas vezes o problema não está apenas na quantidade de trabalho, mas na ausência de momentos de recuperação emocional.
Pequenas atitudes fazem diferença
Ao falar de saúde mental, algumas pessoas imaginam mudanças radicais ou soluções complexas. Na prática, pequenas atitudes realizadas de forma consistente costumam gerar grande impacto.
Uma estratégia simples é fazer pausas conscientes durante o dia. Parar por um minuto, respirar profundamente, relaxar os ombros e observar como o corpo está reagindo pode ajudar a interromper o piloto automático e reduzir respostas impulsivas.

Outra ferramenta útil é focar na próxima ação possível. Em momentos de sobrecarga, a mente tenta resolver todos os problemas ao mesmo tempo, aumentando a ansiedade. Perguntar a si mesmo "qual é o próximo passo que posso dar agora?" ajuda a recuperar a sensação de controle.
Também é importante criar momentos de desligamento mental. Fazer uma refeição sem celular, realizar uma caminhada, dedicar tempo à família, praticar atividade física ou simplesmente ficar alguns minutos longe das telas são formas de permitir que o cérebro recupere energia.
Resultados e saúde mental podem caminhar juntos
Existe uma crença de que viver sob pressão constante é o preço inevitável para alcançar resultados. No entanto, essa lógica costuma gerar desgaste e reduzir a capacidade de manter o desempenho ao longo do tempo.
Cuidar da saúde mental não significa eliminar desafios ou evitar responsabilidades. Significa desenvolver recursos para lidar com eles de forma mais saudável.
A pressão faz parte da vida profissional. O cuidado está em não transformar a pressão em adoecimento.
Ao reconhecer os sinais de desgaste, criar momentos de recuperação e desenvolver estratégias mais conscientes para lidar com as demandas do dia a dia, é possível continuar entregando resultados sem viver permanentemente em modo sobrevivência.
Cuidar das pessoas também é uma responsabilidade das organizações
A promoção da saúde mental não depende apenas do indivíduo. As organizações também desempenham um papel importante na construção de ambientes de trabalho mais saudáveis, respeitosos e sustentáveis.
Criar espaços de diálogo, incentivar o desenvolvimento das pessoas, promover ações de conscientização e valorizar relações de trabalho saudáveis são iniciativas que contribuem para o bem-estar e para o fortalecimento das equipes.
Saúde: um valor que faz parte da nossa cultura
Na Huvispan, acreditamos que cuidar das pessoas também significa cuidar da saúde física, mental e emocional. Por isso, promover um ambiente saudável, equilibrado e sustentável faz parte da nossa cultura e dos nossos valores.
Como reflexão final, vale uma pergunta:
Você está vivendo sua rotina ou apenas reagindo a ela?
Para saber mais:
BRASIL. Ministério da Saúde. Saúde Mental. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/s/saude-mental. Acesso em: junho de 2026.
DEJOURS, Christophe. A loucura do trabalho: estudo de psicopatologia do trabalho. São Paulo: Cortez.
LIPP, Marilda Emmanuel Novaes. O stress está dentro de você. São Paulo: Contexto.
ZANELLI, José Carlos; BORGES-ANDRADE, Jairo Eduardo; BASTOS, Antônio Virgílio Bittencourt. Psicologia, organizações e trabalho no Brasil. Porto Alegre: Artmed.